Sete filmes de bruxas para o seu Dia das Bruxas!

 


Filmes de bruxas e não apenas com bruxas. A lista tem como foco longas que tratam as “noivas de Satã” de forma mitológica, lendária. Filmes que mantenham a lenda dessa clássica figura ligada ao horror, suspense e ares malévolos. Logo, títulos com Abracadabra (1993) e Harry Potter (franquia, 2001-2011) – esqueça Malévola –  não entrarão. O mesmo ocorre com narrativas onde apenas o estigma social contra as mulheres acusadas e condenadas de outrora seja discorrido, como no benquisto As Bruxas de Salém (1996).

Nossa lista de sete filmes de bruxas tratará então as bruxas em sua forma mais raiz do imaginário sobrenatural. Ainda que outras mensagens possam ser comunicadas por tais obras cinematográficas o cerne da questão se mantém no ocultismo, na famigerada e temida bruxaria. Confira!

A Bruxa de Blair (Blair Witch Project, 1999)

Nos atendo aqui ao filme original e não ao seu remake/sequência de 2016. A história trata de um trio de jovens que acampa em uma floresta onde uma lenda sinistra impera. Sofrem com desorientação e então se perdem, começando a vivenciar fenômenos que abalam a sua sanidade e reforçam a presença da lenda regional sobre uma bruxa. Tudo parece só piorar, conforme é filmado e registrado pelos jovens. Só conhecemos sua história anos depois quando seu tape é encontrado.

Dica: Um marco do estilo found footage (filmagem em primeira pessoa), traz uma história mais pé no chão e presa ao terror psicológico, ainda que lidando com o sobrenatural. Revitaliza também o tema quanto aos filmes de bruxas. Certamente é um dos mais memoráveis longas do gênero de sua década. Fica também a indicação para Bruxa de Blair, 2016.

 

A Autópsia (The Autopsy of Jane Doe, 2016)

Pai e filho legistas lidam com um corpo misterioso e sem contexto encontrado em uma cena de crime hedionda e igualmente misteriosa. Conforme destrincham o cadáver, descobrem mais sobre o mesmo e os horrores que o cercam. Um grande mal redescoberto.

Dica: Pra quem curte o subgênero de investigação forense, este filme será um prato cheio. Mesclando o terror com tal aspecto, nos serve uma história que prende, deveras interessante. Você imerge com os protagonistas no estudo do crime e do corpo na mesa fria. Poderia ser melhor concluído, infelizmente quanto mais próximo do final, as coisas tendem a ficar mais batidas. Mesmo assim, vale a experiência de desenrolar do enigma.

 

Invocação do Mal (The Conjuring, 2013)

Iniciando o “invocaverso” de James Wan, somos apresentados a dois núcleos de personagens, sendo o primeiro uma família que se muda para uma casa antiga e lá vivencia fenômenos medonhos. Em cortes, conhecemos o casal Warren, demonologistas com fama reconhecível. Por fim, os núcleos se entrelaçam e somos lançados em uma atmosfera densa de horror envolvendo um espírito hediondo, mas que já foi humano. A antiga inquilina satânica.

Dica: Ainda que traga muitas convenções desgastadas como a família que se muda para a casa assombrada, seu alto domínio do que expõe, narrativa e tecnicamente, fazem deste longa uma terror marcante e essencial aos fãs do gênero. Atuações que não ficam a dever, maquiagem excelente, efeitos críveis. Um terror sincero que não depende de jump scares. O horrível está lá e faz questão de ser ouvido e visto sem apelos.

 

Jovens Bruxas (The Craft, 1996)

Uma jovem se muda e conforme se adequa a nova vida, local e escola, conhece três outras moças ligadas ao arcanismo, a bruxaria. Juntas, confirmam uma aparente profecia e a corrida para aumentar seus poderes, dependendo dessa nova união entre elas. As coisas ficam pesadas quando o poder sobe a cabeça e divergências começam a eclodir. A juventude mesclada a bruxaria é intensa e tende a ser fatalista.

Dica: Um clássico cult, que trás referências a diversas religiões neopagãs,  abordando também assuntos sociais pertinentes como auto aceitação, racismo, materialismo, corrupção e juventude. Não deixe a aura de filme adolescente enganar, esse é um longa sobrenatural de respeito. Que cativa e impressiona, tanto pelas histórias quanto pelos efeitos na época.

 

Suspiria (2018)

Quando uma moça desaparece de uma companhia de dança contemporânea, uma nova candidata é recebida pelo corpo de alunas e professoras. Conforme desenvolve a arte, amizades e elos no mínimo bizarros, começa a perceber que seu ambiente artístico é uma fachada para algo bem mais sombrio e profano. Enquanto isso, somos apresentados aos meandros das mestras da companhia de dança, suas ambições e a iminência de um aparente evento que poderá mudar tudo. Lidando com o sumiço da jovem anterior, temos um senhor, seu ex psicólogo, que busca pela moça desaparecida. Esta é a premissa tanto do filme original de 1977, quanto do novo ao qual dei mais visibilidade aqui pela indicação. Vale a conferida dupla.

Dica: Uma história com muita sensibilidade ao terror, onde se deve estar atento aos detalhes e ter uma perspectiva um pouco mais subjetiva para melhor entender o que se desenrola. Não é um filme complexo, e nem parado. Mas, certamente não é um pipocão despretensioso. Longe disso. Um filme que também aborda o fingimento nas minorias, onde figuras dizem lutar por tais causas – neste caso o feminismo, estabelecido como a companhia de dança – no entanto, lutando apenas por si mesmas e levando demais a consequências dignas de profundo arrependimento tardio.  Ótimas atuações, ótimos efeitos, ótimos personagens.

 

A Bruxa (The Witch, 2015)

Quando uma família é banida de sua comunidade puritana, indo habitar nos ermos florestais, a filha mais velha, desprendida e contrastante, começa a ser tratada pela própria narrativa como o epicentro de eventos sinistros que apontam para um grande medo daquela época. Bruxaria. Enquanto a família se despedaça com desgraças e insanidade, a primogênita se vê cada vez mais próxima de um destino pungente e sombrio.

Dica: Abordando diversas temáticas da emancipação social e intelectual da mulher mescladas aos relatos do passado sobre medo e práticas de bruxaria, esse filme é um grande título. Pode não agradar a todos pelo seu terror não óbvio e frio, bem como pela narrativa lenta e por vezes contemplativa. Ainda sim, retrata com fidedignidade o temor por bruxas enquanto rompe em sobre plano com paradigmas femininos. Não podia faltar na nossa lista de filmes de bruxas.

 

A Maldição da Bruxa (Hagazussa, 2017)

Uma mãe e sua filha vivem isoladas em uma cabana próxima de um feudo onde os moradores apontam a mãe da criança como uma bruxa. Quando a mulher adoece bizarramente, sua filha segue a vida e herda o mesmo estigma social. Adulta, e com uma filha ainda bebê, ela lida com o preconceito, traumas, comportamentos bizarros seus e com fenômenos sobrenaturais que podem ser na verdade mera insanidade. Quem sabe fruto da hereditariedade, além da suposta maldição. Com o tempo, a mulher sofre e adoece espiritualmente. Insanidade e surtos alucinógenos a levam para um caminho sem volta onde sua veia por bruxaria pode acabar se confirmando.

Dica: Com certeza não irá agradar a todos pelo seu ritmo bem lento e contemplativo. Gozando de planos longos com fotografia acertadíssima e pouquíssimos diálogos durante todo o seu tempo de duração. Ainda sim, horrores ocorrem de forma pontual no longa que trata da vida marginal que uma mulher deslocada no conceito social daquela época medieva poderia sofrer. A interpretação é aberta quanto o sobrenatural ou insanidade, deixando um final metafórico após trilhar um caminho de situações bem viscerais e extremas.

 

Essa foi a nossa lista sobre sete filmes de bruxas – bons filmes de bruxa! – com leves pinceladas de sinopse e análise.

Menções honrosas:

Arrasta-me para o Inferno (Drag Me to Hell, 2009): Esse sim um pipocão com toques de trash e comédia disfarça. Contudo, a bruxa é convincente.

João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel and Gretel: Witch Hunters, 2013): Outro blockbusterdespretensioso. Válido pela ação aventuresca, maquiagem bem feita e efeitos práticos legais.

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleep Hollow, 1999): Filme de altíssima qualidade, mas que trata a bruxaria como um segundo, talvez terceiro plano. Sendo mais um filme de morto-vivo, que vale demais a indicação aqui.

Branca de Neve e o Caçador (Snow White and The Huntsman, 2012): Aventuresco e fantástico, traz ainda sim uma bruxa convincente e com certeza antagônica. Um filme familiar leve e divertido.

O Pacto (The Covenat, 2006): Sombrio e com um aspecto original, traz um sabá composto por bruxos e não bruxas. Tem todo um descartável clima juvenil e carência de orçamento para efeitos que almeja. No entanto, ainda vale uma espiada.

 

Que seja útil para você a nossa lista profana neste Dia das Bruxas!

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